PONENCIA

DOCUMENTOS

GROUNDING E CONTACTO - DOIS POLOS DO EIXO TERAPÊUTICO

António Menezes Rocha, CBT e Local Trainer
APAB - Associação Portuguesa de Análise Bioenergética
Presentación
(pdf 978 KB)


texto (pdf 837 KB)
Trata-se de uma abordagem de dois conceitos mais ou menos originais da Análise Bioenergética, a saber grounding e contacto. Tratarei de operacionalizar estes conceitos a três níveis: ao nível do desenvolvimento infantil, ao nível do diagnóstico do c Independentemente de o significado daqueles dois conceitos encerrar aspectos que são comuns aos de outros modelos psicoterapêuticos, também é verdade que, no modelo da Análise Bioenergética, adquirem, em sentido filosófico, uma compreensão e uma extensão tais que dão, ao modelo, uma grande visibilidade identificadora. Ao ponto de não me repugnar nada afirmar que os conceitos de grounding e de contacto seriam algo assim como o bilhete de identidade da Análise Bioenergética.
A Análise Bioenergética deve grande parte da sua sustentação teórica à Psicanálise de Sigmund Freud, mas não é menos verdade que no quadro de uma hipotética ciência única e universal de Psicoterapia, a Análise Bioenergética seria reconhecida pelo impulso dado ao trabalho psicocorporal com a operacionalidade dos conceitos de grounding e de contacto.
O nível de autonomia do paciente, um dos focos do trabalho e das metas de qualquer psicoterapia, pode ser avaliado e desenvolvido com recurso, respectivamente, a um eventual instrumento de medida de grounding do paciente e à utilização sistemática de exercícios bioenergéticos de grounding. E outro tanto se poderá dizer do nível relacional do paciente, tanto quanto à sua avaliação, como ao desenvolvimento de relações saudáveis, partindo, para tal, do tipo de contacto que o paciente apresenta, para, de seguida, desenhar a estratégia mais adequada à aquisição de um tipo de contacto mais saudável e prazeroso, ao longo do processo terapêutico. Todo este trabalho de focagem nas ferramentas de grounding e contacto deverá estar enquadrado pela relação transferencial e contratransferencial do processo terapêutico.
Para facilitar a operacionalidade dos conceitos de grounding e de contacto, objecto desta exposição, irei propor algumas ferramentas, de vária ordem, que possam incidir na melhoria do labor clínico do Analista Bioenergético. Ferramentas tais como o estabelecimento do paralelismo entre individuação/socialização de M. Mahler e grounding/contacto da Análise Bioenergética; uma proposta interpretativa do desenvolvimento do grounding e do contacto, ao longo do período de desenvolvimento psicosexual; a apresentação de guiões que facilitem a avaliação do nível de grounding e contacto dos pacientes; uma proposta de exercícios bioenergéticos específicos para avaliar e desenvolver o nível de grounding e contacto dos pacientes; e, finalmente, a apresentação de dois casos clínicos para ilustrar a possível utilização das ferramentas de grounding e de contacto, no trabalho do psicoterapeuta.

(subir)