TALLER

DOCUMENTOS

Psicoterapia de Grupo- uma sala de espelhos

Maria Alcina Fraga Fernandes
CBT - Supervisora
APAB - Associação Portuguesa de Análise Bioenergética
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Experimentaremos, neste workshop, uma caminhada vivencial pelas diferentes fases de crescimento inerentes ao processo psicoterapeutico em setting de grupo, até ao momento da alta.
Cada pessoa é única na sua história e herança biológica e é a riqueza dessa matriz individual que vai assim, reflectir-se na matriz do grupo, passando este a ser uma cadeia, uma força transformadora, geradora de um campo de ressonância, de condensação e de efeitos-espelho, onde se vão somando a partilha de vivências, de cada um em relação a si próprio, aos outros, ao mundo externo e ao grupo como um todo.
As relações interpessoais são construídas no contacto e vividas no corpo.
Segundo William Schutz ( 1971), cada pessoa revela, num processo de grupo, três necessidades interpessoais básicas: inclusão, controlo e afecto.
A fase de inclusão, com a sua visão messiânica do grupo, é uma etapa de sociabilidade sincrética em que se está dentro e fora, se é percebido ou ignorado, se busca a experiência de pertença.
O corpo está presente, respira e quer ocupar um espaço entre os outros corpos. Neste tempo de começo, ou de inclusão, cada um procura um olhar, um gesto, uma palavra que valide a sua existência no grupo. É o tempo de consciencializar a respiração, perceber com os sentidos, contactar e sentir os limites.
O evoluir do contacto entre os membros do grupo vai originando transformações nesta sociabilidade ainda indiferenciada, preparando o aparecimento da fase do Controlo e confronto das diferenças individuais.
O olhar, a voz e o movimento ousam expressar o que cada um sente, pensa, e faz. Eclodem tensões escondidas, rivalidades inter-pares, luta pela atenção do terapeuta, pela defesa dos valores e das diferenças. Revela-se o estilo interpessoal de cada um. Aqui começa a grande caminhada no sentido de construir um todo.
Vai-se consolidando o campo do grupo, "aqui e agora" e historicamente, através da lenta e profunda sedimentação das relações afectivas que vão constituir a cultura e o património do grupo, a sua memória colectiva.
O corpo expande-se e vai ao encontro dos outros corpos. Permite-se dar e receber. Pedir e rejeitar.
Na fase afectiva de aceitação/integração, surge a busca de sintonia, ou attunement: a capacidade cinestésica e emocional de estar totalmente em contacto com as sensações, necessidades e sentimentos do outro e, ao mesmo tempo de lhe poder comunicar essa sintonia.
O corpo em contacto é um corpo que se entrega e pulsa. Um corpo que não se defende em relação às suas experiências internas e externas. Um corpo bem enraizado, que se auto-suporta e é capaz de suportar.
Clarificados e fortalecidos os laços inter-pares, começa gradualmente a desenhar-se o tempo da separação. O grupo torna-se menos necessário, a perspectiva de ganhos dilui-se.
Da negociação concertada entre terapeuta/ cliente e grupo, surge a alta terapeutica. Ela é a representação microcósmica de algumas das questões emocionalmente mais significativas da vida de um indivíduo: Crescer com os outros, assumir a sua identidade e partir.
A dor da partida é trabalhada, com suficiente tempo de antecedência, permitindo a finalização de temas inacabados e a consciencialização da separação e da perda.
No dia da alta trocam-se feed-backs e abraços longos. A sessão desliza numa intimidade fluida, banhada de luz e de graça. De "beleza em movimento", como diria Lowen. Paira no ar a alegria e também um pouco de tristeza, a conferir à celebração o toque límpido da verdade.
Um grupo terapêutico é um pequeno microcosmos feito de infinitas subtilezas e onde ocorrem muitos dos mais belos e comoventes momentos da vida.
A celebração da alta é um desses momentos

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